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Extraordinário

23 de maio, sábado, 10h
Extraordinário

Cine Debate GEPO apresenta: Extraordinário

O GEPO – Grupo de Estudos de Psicanálise de Ourinhos e Região convida você para mais uma edição do Cine Debate, um encontro especial de reflexão, acolhimento e troca de experiências através do cinema.

O filme escolhido desta edição é “Extraordinário”, uma emocionante história que aborda temas como empatia, inclusão, família, bullying, infância e os desafios das relações humanas. A obra acompanha Auggie Pullman, um garoto que enfrenta a difícil missão de ingressar em uma escola regular pela primeira vez, mostrando como pequenos gestos podem transformar vidas.

Após a exibição do filme, teremos um debate enriquecedor conduzido por profissionais convidadas das áreas de psicologia e psicanálise, promovendo uma conversa aberta sobre os temas apresentados na obra e seus impactos na vida cotidiana, escolar e familiar.

 

Informações do evento

Data: 23 de maio
Horário: Das 09h às 11h30
Local: Colégio Santo Antônio (CSA) – Ourinhos/SP

 

Valores

  • Membros CSA (pais, alunos e professores): Gratuito
  • Membro agregado GEPO e público geral: R$ 35,00
  • Membro efetivo GEPO: R$ 70,00

 

Debatedoras convidadas

O encontro contará com a participação de profissionais com ampla experiência em psicologia, psicanálise, família, infância e educação, proporcionando uma análise profunda e sensível sobre os temas abordados no filme.

Uma oportunidade única para refletir sobre convivência, respeito às diferenças e construção de vínculos mais humanos.

Esperamos você para esse momento de aprendizado, emoção e diálogo!

 

Resumo

Extraordinário acompanha a história de August “Auggie” Pullman, um garoto com a síndrome de Treacher Collins, uma condição que provoca má-formação facial. Após anos sendo educado em casa, sua mãe decide matriculá-lo no 5º ano de uma escola regular. Nesse novo ambiente, Auggie enfrenta o preconceito e o bullying de alguns colegas por causa de sua aparência.

Ao longo da trajetória, porém, ele conquista amizades verdadeiras, especialmente com Summer e Jack Will. O filme também apresenta a perspectiva de sua irmã, Olivia, que enfrenta suas próprias inseguranças e sente a falta de atenção dos pais. Em uma emocionante jornada de empatia, aceitação e superação, a história mostra que a verdadeira coragem está na gentileza e na capacidade de enxergar além das aparências. O desfecho ocorre na cerimônia de formatura, quando Auggie é homenageado pelos colegas, simbolizando o reconhecimento de sua força e de seu caráter.

Veja como foi

Resumo do encontro

O debate do filme Extraordinário girou em torno de temas importantes que nos levaram a pensar sobre as falhas, limitações e deficiências. Amanda Zedan nos trouxe reflexões muito ricas através da história do menino Auggie. Pudemos refletir sobre as consequências de um corpo invadido e exposto a inúmeras intervenções desde o início da vida, momento de extrema vulnerabilidade, e a necessidade de adaptações, tanto da família quanto da criança, para pertencer.

Esse sentimento de pertença familiar internalizado foi o que lhe deu sustentação para enfrentar os desafios do primeiro ano escolar, fazendo com que ele acreditasse que poderia ser recebido também em outros ambientes. A função materna, suficientemente boa, ofereceu a base de confiança e proteção, enquanto a função paterna introduziu a dimensão do enfrentamento, auxiliado o filho a não internalizar apenas a identidade de uma criança frágil e sofrida, mas também a existência de recursos para estar entre os outros e expor todo seu potencial.

Se a família é o primeiro lugar de pertencimento, a escola pode ser pensada como um ambiente onde esse pertencimento será testado. Ela pode funcionar como um ambiente que facilita o desenvolvimento, oferecendo pertencimento, mas também pode ser um ambiente que falha, fere e que produz exclusão, principalmente quando não olha para temas como o bullying, por exemplo.
Melanie Klein nos ajuda a compreender a dinâmica do bullyng. Para ela, a criança vive suas relações externas impulsionadas por um mundo interno intenso, cheio de fantasias de amor, de ódio, de inveja e de culpa. Quando algumas crianças olham para Auggie elas projetam nele aquilo que não conseguem tolerar em si mesmas: a diferença, a fragilidade, a imperfeição e o próprio medo da rejeição. Auggie passa a ocupar o lugar da angústia do outro, daquilo que precisa ser afastado ou ridicularizado para que o grupo preserve uma ilusão de superioridade e perfeição.

Além disso, a teoria Kleiniana, nos ajuda a entender o ataque ao objeto bom. Auggie não é atacado apenas por sua aparência atípica. Ele também é atacado pela sua genialidade. Ele é inteligente, sensível, amado pela família, engraçado. Klein nos ensina que a inveja pode levar ao ataque ao objeto bom. A criança, ou depois o adulto, tenta danificar aquilo que admira ou sente que não possui.

O filme mostra esses aspectos ambivalentes como um amadurecimento emocional, em que é possível ferir aquilo que também amamos. Quando a culpa decorrente dessa falha pode ser suportada e elaborada, ela abre caminho para o desejo de reparar. Esta é a conquista da posição depressiva, que reflete um funcionamento psíquico mais integrado. O filme é muito feliz nisso: ele não divide o mundo entre personagens bons ou maus, mas nos mostra crianças e adolescentes em pleno processo de desenvolvimento, capazes de errar, reconhecer, reparar e se transformar.

Extraordinário nos convida a refletir não apenas sobre como uma criança atípica encontra ou não um lugar no mundo, mas também sobre a qualidade de mundo que temos construído para recebê-la.
Talvez seja esse o ponto mais importante que o filme nos deixa: a infância precisa de adultos capazes de sustentar a presença, a escuta, o olhar sensível e, ao mesmo tempo, firme, para que todos possam pertencer.